Tudo sobre relógio de ponto

A portaria 1510/2009 do MTE especifica que o REP deverá imprimir um registro de ponto do trabalhador a cada batida de ponto.
Essa impressão serviria de prova contra eventuais abusos de seu empregador e conteria informações de auxílio a um possível processo trabalhista.

Acreditamos que todo funcionário deva ter um comprovante de sua jornada, entretanto, entendemos que o papel não é a forma mais segura contra fraudes. Haja visto que papel aceita tudo!

Qual o real impacto na natureza?

Vamos fazer contas:

  • um trabalhador comum faz 2 turnos de trabalho com entrada e saída: 2 x 2 = 4 emissões
  • ele trabalha nos dias úteis do mês: ~22 dias de emissões
  • temos no Brasil em torno de 45 milhões de trabalhadores utilizando ponto eletrônico, segundo dados
  • 4 x 20 x 45 milhões = 3.600.000.000 de papéis por mês, isso mesmo, quase 4 bilhões de tickets

Supondo que esse ticket tenha uns 5cm, teríamos 180 mil km de papel por mês.

Ainda teremos o problema das sucatas dos equipamentos antigos!
Só pra se ter uma noção, daria para dar a volta ao mundo 9 vezes. Humm, será que é pra isso que a portaria se propõe?

Agora vamos imaginar um cenário real de um trabalhador que quizesse levar todos os seu tickets de 2 anos de trabalho para o juiz do trabalho analisar.  Seriam apenas 4 x 22 x 12 x 2 = 2112 tickets. Rápido para o juiz olhar não é?

Quando tantas empresas buscam o selo verde de sustentabilidade ecológica e respeito ao meio ambiente, estamos realmente caminhando pra frente?

Com certeza com a sua ajuda, podemos pensar em algo melhor!

4 Respostas to “A portaria 1510 respeita o meio ambiente?”

  1. Cid Zanella

    on setembro 1 2010

    Ùm ponto interessante sobre o ticket comprovante impresso pelo REP na marcação de ponto é que como se trata de um papel simples, sem mecanismos de segurança, ele é passível de fraudes sem elevado grau de dificuldade.
    Basta uma impressora e papel similares aos utilizados pelo equipamento REP e se pode gerar um novo comprovante, via computador, com dados de data ou hora diferentes dos comprovantes originais emitidos pelo REP.
    Assim, o ticket que dá poderes de comprovação da marcação de ponto ao funcionário, é um documento frágil e que pode facilmente ser clonado com dados alterados.
    Me parece se tratar de instrumento muito fraco para comprovação de uma data e hora de marcação de ponto, que poderia facilmente ser constetado, caso se tenha uma divergência entre os dados do REP e o comprovante de papel impresso, sendo este último desnecessário, uma vez que os dados eletrônicos seriam muito mais complicados de serem fraudados, desde que os equipamentos sejam homologados pelos orgãos certificadores.
    Att, Cid

  2. autor

    on setembro 1 2010

    Prezado Cid,
    Este realmente deve ser um fator de preocupação das empresas. Isto só nos vem mostrar que os equipamentos não são de forma alguma imunes à fraude; mas agora passam a oferecer uma nova gama de possibilidades de fraude. A insegurança é grande !

    Quanto à certificação, é ótimo que os produtos sejam certificados mesmo independente das funções que tenha. Certificações trazem maior segurança e confiabilidade, mas desde que obedeçam critérios técnicos realmente definidos, o que NÃO ocorre definitivamente com os atuais REP.

    Obrigada pela visita ao site.

  3. Carlucio

    on outubro 14 2010

    Na verdade o recibo é validado pela memória do REP, por isto o cuidado com relação a certificação e homologação dos fabricante. Cada fabricante é o responsável legal pela confiabilidade das informações continas na memória do relógio de sua fabricação. Cada registro na memória possui um “endereço”, o NSR (numero sequencial de registro), este numero tamb´me é impresso no recibo. De forma que, quando o auditor fiscal retira o AFD do REP, na linha específica daquele NSR deve conter o recibo correspondente, ou fica caracteriazada a fraude.
    Desta forma, o recibo não pode ser fraudado e a portaria não apresenta falhas técnicas.

  4. autor

    on novembro 11 2010

    Vamos então apresentar argumentos das falhas de concepção do REP.

    1) O ticket (em via única) é do empregado
    2) O relatório fiscal é da fiscalização (ficou proibido acesso a qualquer outro).
    Restou ao empregador como prova o REP e sua memória “inviolável”; isto porque no software, definitivamente o MTE não confia.

    E se por acaso o equipamento queimar, o que terá o empregador?
    Qual outra documentação aceita pelo MTE e inviolável terá a empresa?
    Que segurança jurídica?
    Como serão os processos trabalhistas e a apresentação de provas daqui por diante?

    Quando você, Carlúcio diz que o recibo não pode ser fraudado, precisamos ser realistas! Dinheiro é falsificado, cartões são clonados… quanta fraude existe!

    Ações trabalhistas muitas vezes levam a grandes cifras! E a portaria 1510 traz muitas possibilidades de fraude tanto ao trabalhador quanto ao empregador.

    Como sempre dizemos: a fraude contra o empregado se combate com fiscalização, educação e sindicato forte!

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