Tudo sobre relógio de ponto
Muita coisa neste Blog já foi dita em relação à ineficiência do processo trazido pela Portaria 1510:
Homologações falhas e desnecessárias; REP´s que não atendem aos propósitos; custos desnecessários; desgaste do MTE e todos os envolvidos; descrédito!
Agora, passados mais de 2 anos de controvérsias, muitos aguardam solução para o impasse.

Mas ainda não temos respostas para uma questão básica: A Portaria 1510 se justificou?

Buscando respostas e saídas, fizemos algumas perguntas ao Dr. Hélio Zylberstajn, um dos autores do único estudo até momento sobre o assunto. Juntamente com a Dra. Luciana Yeung, este pesquisador da USP  apresentou dados sobre como o uso do Ponto Eletrônico para controle de frequência dos funcionários vem impactando  na Justiça do Trabalho.
1. Dr. Hélio, o que motivou este trabalho de pesquisa?

Eu e minha colega Profa. Luciana Yeung, como pesquisadores e estudiosos das questões do mundo do trabalho nos fizemos a pergunta: há fundamento na alegação dos inspetores do trabalho e dos juízes de que o ponto eletrônico é fraudado de maneira generalizada no país? E saímos em busca de uma resposta.

2. Por que a pesquisa foi realizada utilizando dados da internet? Esta é uma fonte segura? Existiu algum requisito ou cuidado especial para se extrair os dados de forma confiável?

A Tecnologia da Informação é uma ferramenta valiosa para qualquer atividade humana. Neste caso, foi utilíssima, porque permitiu que levantássemos o conteúdo do universo das sentenças de dois TRT´s. Extraímos de forma segura e exata o conteúdo de nada menos que 1,4 milhões de sentenças. Seria impossível consultar este volume de documentos sem a ajuda da tecnologia.

3. Segundo informou, foram pesquisadas as ações de segunda instância em dois Tribunais Regionais: o TRT 4 (Rio Grande do Sul) e o TRT 2 (São Paulo – região metropolitana e litoral). Por que foram escolhidos estes tribunais e por que somente ações de segunda instância?

Porque estes são os únicos Tribunais que disponibilizam as sentenças nas suas páginas da internet. E mesmo assim, disponibilizam apenas ações de segunda instância.

4. O universo de ações pesquisadas representa total ou parte das ações de segunda instância destes Tribunais?

Representa o total das ações de segunda instância nestes dois tribunais, no período de janeiro de 2001 a maio de 2011. O que fizemos foi muito simples: extraímos o texto completo das sentenças e as armazenamos no computador. Em seguida, pesquisamos em cada sentença, palavras chaves ligadas a “horas extraordinárias” e sinônimos. Do total de 1,4 milhões de sentenças, nada menos que 550 mil continham estas expressões. Ou seja, a reclamação de falta de pagamento de horas extras é muito frequente nos processos trabalhistas. O próximo passo foi verificar nestes processos quais se referiam a controle eletrônico de ponto. Para isso, utilizamos palavras chave como “ponto eletrônico”, “controle eletrônico” de ponto e assemelhados. Apenas 9,5 mil ações foram encontradas. Isso significa que do total de 1,4 milhões de processos, somente 0,7% se referem a ponto eletrônico. A conclusão é direta: a Portaria 1510 expressa uma preocupação não confirmada nos dados. O volume de casos indica que o controle eletrônico não deve ser um problema que mereça tanta atenção do poder público.
Estou enviando a tabela com os números do nosso levantamento, para que o usuário deste blog verifique e confira nossas contas.

TRT TOTAL DE AÇÕES AÇÕES REFERENTES A HORAS EXTRAS AÇÕES REFERENTES A HORAS EXTRAS E O CONTROLE ELETRÔNICO DO PONTO
QUANTIDADE PORCENTAGEM QUANTIDADE PORCENTAGEM
SP 856.592 351.155 41,00% 4.347 0,50%
RS 568.068 199.660 35,00% 5.208 0,90%
TOTAL 1.424.660 550.815 39,00% 9.555 0,70%

Tomamos diversos cuidados para fazer esta pesquisa. Por exemplo, descobrimos que seria impossível extrair de uma vez todas as sentenças, porque as páginas consultadas interrompem a busca quando o número de casos excede um determinado limite. Para poder extrair a totalidade de casos, o programa acessou as sentenças de cada dia, separadamente e sequencialmente. Assim, nunca atingimos o limite de extração e conseguimos obter o universo dos processos. Nossa fonte de dados não é uma amostra. Os 0,7% se referem ao total das sentenças de segunda instância dos dois TRTs, no período de 10,5 anos (2001 a 2011).

5. O senhor acredita que o resultado de uma pesquisa semelhante nas ações de primeira instância traria resultados muito diferentes? Por que?

Gostaríamos de ter pesquisado os processos das Juntas de Conciliação, a primeira instância. Mas, infelizmente não estão disponíveis na internet. Se pudéssemos ter levantado estes processos, provavelmente, os resultados seriam semelhantes. Não seriam semelhantes se houvesse algum tipo de variável que “seleciona” as reclamações que vão à segunda instância e as torna diferentes das que se encerram na primeira instância. É difícil pensar em algo assim. Muitas pessoas têm dito que nos processos de segunda instância a incidência de reclamações sobre ponto eletrônico seria menor que nos de primeira instância. Nesse caso, nosso resultado subestimaria o problema. Mas, perguntamos: porque isso aconteceria? Não poderia ser o contrário, ou seja, a incidência na segunda instância não poderia ser maior do que na segunda instância? Se fosse assim, nossos resultados estariam superestimando o tamanho do problema. Enfim, as pessoas que argumentam dessa forma precisam explicar qual a diferença entre as ações que seguem para a segunda instância. E esse argumento teria que ser testado empiricamente.

6.  Esta pesquisa e sua metodologia já estão disponíveis para consulta?

Estamos escrevendo um artigo que pretendemos publicar  em algum periódico acadêmico. Mas podemos disponibilizar para os interessados a consulta ao código de busca, para que repliquem nosso procedimento, se desejarem.

7. Em algum momento o senhor foi convidado para debater ou apresentar o resultado e a metodologia utilizada nesta pesquisa?

Nos colocamos à disposição do Ministério do Trabalho, mas eles não permitiram que nosso estudo fosse apresentado na Comissão Tripartite que examinou a Portaria 1510. De certa forma, fomos censurados, porque nosso estudo foi criticado na Comissão, mas não nos foi concedido o direito de explicá-lo. Foi divulgado apenas por meio de artigo no Estadão de 03/08 último, na página B2 (Caderno de Economia).

8. Conte-nos um pouco mais sobre sua experiência em assuntos de Relações de Trabalho e como pesquisas deste tipo podem auxiliar no debate deste tema.

Tenho estudado nosso sistema de relações de trabalho na minha carreira de professor e pesquisador e tenho proposto uma revisão do modelo. Precisamos fortalecer a representação dos trabalhadores com sindicatos mais representativos e assim aprimorar a negociação coletiva. A fraqueza dos nossos sindicatos deixa espaços para iniciativas do Estado, que se arvora no único agente capaz de proteger os interesses dos trabalhadores. O caso da regulamentação do ponto eletrônico é um exemplo eloquente do exagero que essa forma de regulamentação pode atingir.

Agradecemos ao Dr. Helio Zylberstajn, Professor da FEA/USP e Presidente do IBRET, pela gentileza desta entrevista.

32 Respostas to “Entrevista: A Portaria 1510 se justificou?”

  1. Cristiano Recker

    on outubro 28 2011

    Essa pesquisa é uma afronta à qualidade acadêmica inerente aos trabalhos da USP.
    Nada nela é correto: metodologia simplista, conclusões pobres, análises mal fundamentadas, sequer foi publicada em algum periódico sério, enfim, típica pesquisa acadêmica encomendada.

  2. autor

    on outubro 28 2011

    Cristiano,

    Quer trazer suas contribuições sobre como deve ser feita uma pesquisa? Por quem acha que esta pesquisa foi encomendada? Traga suas considerações à nossa discussão!

  3. André Melo

    on outubro 28 2011

    Eu vi esta matéria publicada no Estadão. Me pareceu coerente. Deste jeito fica mais fácil crer que esta portaria do ponto eletrônico é que deve ter sido encomendada. Está gerando tanta discussão e muito gasto pra muita empresa. Não sei como pode o governo fazer tudo isto e nem existir uma LEI para isto.Nós empresários estamos acostumando a pagar a conta por todo tipo de doideira que acontece no país. Isto não pode ser. Uma coisa que não serve pra nada, não evita fraude coisa nenhuma e ainda gera um gasto enorme, faça o favor! Alguém já fez umapesquisa de quanto dinheiro foi gasto com estas maquinas novas? o papel que gastou? Se querem minha opinião, a portaria não se justificou. E quem me disse isto não foi esta pesquisa. Foi o bom senso que disse.

  4. Cristiano Recker

    on outubro 28 2011

    Caro Autor

    Começaria solicitando a você que informe onde está a pesquisa completa. Os resultados de uma pesquisa séria não podem ser apresentados na forma de uma entrevista. Devem ser apresentados na forma de um artigo completo, após isso as entrevistas. Este é o procedimento de um pesquisador sério. Neste artigo completo deve constar a metodologia detalhadamente descrita, o desenvolvimento, os resultados obtidos sem juizo de valor, apenas apresentados, as conclusões sob a óptica dos autores, mas sem afirmar nada que não possa ser 100% provado. Também importante descrever a bibliografia utilizada, principalmente a que se refere ao funcionamento do banco de dados eletrônico da justiça do trabalho. Seria também de bom tom que membros do poder judiciário e técnicos que projetaram e operam o sistema eletrônico da justiça do trabalho fossem ouvidos. Isso tudo para uma correta fundamentação teórica do trabalho.
    Até o momento o que foi apresentado não caracteriza um trabalho acadêmico de qualidade.

  5. Carlos A Beling

    on outubro 29 2011

    Parece que a Portaria 1510 vai mesmo entrar em vigor, sem adiamento, sem modificações no texto original.
    Acho que cumpre aos prestadores de serviço esclarecer aos optantes pelo “Ponto Eletrônico” como se preparar para o atendimento ao disposto na NOTA INFORMATIVA Nº 19/2011/SIT/MTE, disponível no link: http://www.sinpait.com.br/site/internas.asp?area=9940&id=743

  6. autor

    on outubro 31 2011

    Cristiano,

    As suas dúvidas já haviam sido respondidas no corpo do texto principal.
    Agora, se quer ajudar, nos informe qual outro estudo existente sobre este assunto. Nós desconhecemos.
    E veja que a portaria 1510 surgiu criando um gasto de bilhões à sociedade, mas sequer sabemos se isto se justifica!!!
    Alegações sem qualquer fundamentação, existem muitas. Porém, esta é a primeira pesquisa realizada que nos serve de embasamento.
    E se este estudo está correto, como nos parece que sim…
    A PORTARIA 1510 NÃO SE JUSTIFICA.

  7. autor

    on outubro 31 2011

    Carlos,

    Este texto (link enviado) foi publicado quando ainda se acreditava que a Portaria 1510 entraria em vigor em setembro. Depois disto, houve 2 adiamentos!

  8. Clotilde

    on outubro 31 2011

    Ainda esse “cabo de guerra” ?!

    Como leiga no assunto, percebi que o Cristiano entende muito de como uma pesquisa deve ser feita, até mais que o Dr. Hélio e Dra. Luciana.

    Que tal você desenvolver uma pesquisa “realmente” séria sobre esse assunto?

  9. Carlos Gomes

    on outubro 31 2011

    sr. autor, acho que só terá valor essa pesquisa ao publicar num periódico acadêmico mesmo; com tantos TRTs, acho que 24, ficou fraca a pesquisa com apenas 2 e só de 2ª instância; vocês acham mesmo que é importante essa discussão? a própria ANAMATRA já se manifestou sobre essa pesquisa, os senhores não aceitam a palavra dos próprios magistrados? obrigado.

  10. autor

    on outubro 31 2011

    Carlos Gomes,

    No nosso modo de pensar, a pesquisa tem valor por si. Também achamos que mereceria ser aprofundada em outros tribunais.
    A discussão é sempre importante, pois é assim que vamos evoluindo. É sempre bom aceitar opiniões desde que sejam fundamentadas. A pesquisa em questão serve bem para isto.
    Que venham outras pesquisas…

  11. Carlos Gomes

    on novembro 1 2011

    concordo com o autor sobre a evolução, mas essa pesquisa não é bem fundamentada, a base é fraca, embora possa ser entendida como um instrumento de um trabalho inicial a ser aprofundado;

  12. autor

    on novembro 1 2011

    Entendemos que possa ser aprofundado sim, e isto é um dever mesmo do estado, se pretende justificar a substituição de todo o parque instalado de equipamentos do país.
    É muitíssimo importante que antes de criar a obrigação, o estado promova uma justificativa para tamanho esforço.
    É importante responder à pergunta: A PORTARIA 1510 SE JUSTIFICA?

  13. Rodrigo

    on novembro 1 2011

  14. Alberto Junior

    on novembro 1 2011

    Me parece que existe uma inversão de papéis neste caso.
    Quem tinha que justificar uma mudança de regras tão absurda com uma bela de uma pesquisa era o MTE.
    O fato é que não existe pesquisa alguma.

    Isso jamais entrará em vigor de forma imposta, isso vai acabar virando opcional pra não matar quem investiu nesse absurdo.
    Ao que me consta todos os processos de homologação de novos REPs foram suspensos pelos laboratórios devido as enormes inconsistências na NORMA o que causa um problema jurídico. Aliás não existe norma. Risível

    Ao autor recomendo dar uma pesquisada se algum novo REP foi homologado recentemente, ou ligar nos laboratórios para ver se estão agendando homologações.

  15. autor

    on novembro 1 2011

    Rodrigo,

    Ainda nos faltam algumas informações. Por isto, emitir qualquer opinião neste momento seria precipitado.
    A princípio vemos como ponto positivo a consulta pública (primeira vez em que se consulta a sociedade). Como ponto negativo, a discussão permanece rondando os conceitos da 1510; ainda não se busca soluções de menor impacto à sociedade.

  16. autor

    on novembro 1 2011

    Alberto, está certíssimo.
    E veja que agora tentam obter validade através da normatização (tardia) do Inmetro.
    Acreditamos que assim muitos erros técnicos podem ser corrigidos.
    No entanto, há que se pensar em menos impacto desta medida.
    Ainda aguardamos mais informações para que possamos emitir uma opinião.

  17. Clotilde

    on novembro 3 2011

    Trabalhista – Portaria sobre Registrador Eletrônico de Ponto (REP) tem prazo aberto para recebimento de críticas e sugestões

    O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) disponibilizou em seu site (www.inmetro.gov.br) a proposta de texto da Portaria Definitiva, do Regulamento Técnico da Qualidade e dos Requisitos de Avaliação da Conformidade para Registrador Eletrônico de Ponto e abriu prazo de 30 dias para que sejam apresentadas sugestões e críticas relativas aos textos propostos que deverão ser encaminhadas para o e-mail: dipac.consultapublica@inmetro.gov.br, ou para o seguinte endereço:

    Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro
    Diretoria da Qualidade – Dqual
    Divisão de Programas de Avaliação da Conformid ade – Dipac
    Rua da Estrela nº 67 – 2º andar – Rio Comprido
    CEP 20.251-900 – Rio de Janeiro – RJ

    (Portaria Inmetro nº 415/2011 e Portaria Inmetro nº 416/2011 – DOU 1 de 31.10.2011)

    Veja mais informações sobre este assunto em http://www.iob.com.br/sitedocliente

    Fonte: Editorial IOB

  18. autor

    on novembro 3 2011

    Ainda estamos estudando alguns aspectos desta novidade. Traremos informações e opiniões em breve.

  19. Sérgio Oliveira

    on novembro 3 2011

    Primeiro, gostaria de cumprimentar o Dr. Hélio por seu excelente trabalho e, ao contrário do MTE, trazer dados consistentes que justificam a sua opinião.
    Melhor seria perguntar aonde estão os dados que embasam a justificativa do MTE de que temos bilhoes de reais não pagos em horas extras e recolhimento de encargos.
    Eu não possuo dados para afirmar, porém, imagino, que aqueles que hoje sonegam, farão o mesmo com a nova Portaria, afinal, basta não registrar essas horas excedentes como fazem hoje.
    Também, temos de lembrar que é função do MTE fiscalizar essas empresas e autuar. Mas, como costumeiramente tem ocorrido no Brasil, “legislamos por exceção”, ou seja, encontramos um “problema” e logo publicamos algo (lei, decreto, portaria, instrução, etc.) obrigando a todos como se todos agissem daquela forma.
    Ainda, vale lembrar que, erroneamente como se tem dito, que o ponto eletrônico é uma opção e não uma obrigação para todas as empresas, portanto, bastando não adotar para não ter esses custos, as empresas que hoje possuem o ponto eletrônico já o fazem a muito tempo e, portanto, estão sendo obrigadas a incorrer em todos esses custos. Esta Portaria não obriga as empresas que vierem a dotar o sistema eletrônico à partir de sua publicação, mas, sim, todas as empresas que já possuem.
    Na minha opinião, mesmo sem uma pesquisa, uma verdadeira aberração.

  20. autor

    on novembro 3 2011

    Sérgio,

    Excelente comentário!
    Obrigado por nos visitar.

  21. LINDEMBERG F PARDIM

    on novembro 3 2011

    Primeiro, meus cumprimentos ao Dr Hélio pela iniciativa.

    Na realidade, o que a Portaria 1.510 pretende é evitar que o trabalhador e o Fisco saiam perdendo. O trabalhador porque supostamente deixa de receber pelas horas extraordinárias e os reflexos incidentes sobre elas e o Fisco pela falta de tributação (INSS e IRRF) que o acréscimo de horas extras representa no Salário de Contribuição do trabalhador.

    E agora perguntamos: A fraude para se obter os resultados nefastos que citamos, é feita de que forma?

    Pelo que sabemos, da experiência que vivenciamos nos tribunais do trabalho, os verdadeiros fraudadores orientam os trabalhadores a registrar o fim do expediente e retornar para o local e continuar o trabalho.

    E então fica a segunda pergunta: Será que o REP vai evitar esta prática? Acredito que não!

    E acrescento: O trabalhador comum, o operário, aquele que realmente vai fazer o registro de ponto, tem condições de guardar, seja por alguns meses ou um ano aquele monte de papeizinhos que provam o horário que começou e terminou o trabalho? Também acredito que não.

    A minha conclusão é que a Portaria 1.510 é um profundo retrocesso. Há mecanismos mais modernos, menos dispendiosos e gente disposta a apresentar soluções mais condizentes com o novo e com a modernização das relações de trabalho. E não é esta Portaria que vai conseguir isso.

  22. autor

    on novembro 4 2011

    Lindemberg,

    Obrigado por participar!
    Valiosas considerações. Considerando que se esta medida prevalecer teremos um gasto acima de 6 bilhões, concluímos: A portaria 1510 não se justifica!

  23. olga

    on novembro 4 2011

    Porque apenas 30 dias para sugestões e críticas? Um assunto técnico que requer uma análise mais aprofundada, requer mais que os 30 dias da consulta, isto é padrão?
    Por favor, não considere isto como a primeira crítica, apenas uma observação.
    Enfim, o texto proposto não alterou a portaria original, acrescentou alguns pontos, por exemplo, identificar o usuario da alteração, mas não diz como.
    Vamos então fazer as críticas e sugestões.

  24. autor

    on novembro 4 2011

    Ok, Olga.
    Abriremos um espaço em breve, seguindo sua sugestão.

  25. Antônio R.

    on novembro 7 2011

    Artigo do Desembargador Luiz Alberto de Vargas sobre o controle de ponto eletrônico. Vale a leitura.

    http://jus.com.br/revista/texto/20361/a-luta-pela-limitacao-da-jornada-de-trabalho-e-o-controle-de-ponto-eletronico

  26. autor

    on novembro 7 2011

    Antônio R.
    O texto que enviou já era de nosso conhecimento.
    A saber, ele expõe a visão unilateral com que se pautaram as ações do MTE. E assim, sem diálogo, sem ouvir o “outro lado”, não é possível construir um debate valioso.
    Caso citado como: [ele "bateu" o ponto e voltou para trabalhar], jamais terá solução com os REP da Portaria 1510. Eles não têm super-poderes para solucionar este tipo de fraude.
    Os REP não são tão “padronizados” como pensam. Basta dizer que as homologações foram feitas TODAS até hoje sem que haja um padrão. Uma norma técnica.
    E sejamos realistas! O conflito entre patrão e empregado existirá sempre. Poderá ser minimizado com uma legislação mais objetiva, com orientação (para os dois lados) e com fiscalização.

    Antônio, percebe-se claramente que os REP de fato não se traduzem na prática o que foi o sonho de seus idealizadores. E é por isto que combatemos tanto esta medida.
    Entre o sonho e a realidade há um grande abismo.

  27. Antônio R.

    on novembro 9 2011

    A realidade está cada vez mais próxima e acredito muito no aprimoramento deste processo. Agora com a entrada do INMETRO os argumentos contrários irão pouco a pouco esmoecer.

  28. autor

    on novembro 9 2011

    Antônio,
    De que realidade você fala?
    De uma “realidade” que já foi adiada 4 vezes e “teima” em não ser aceita?
    Estamos em uma democracia e a entrada do Inmetro não será nunca para encobrir erros impostos à sociedade, mas sim para dar voz a ela.

  29. Antônio R.

    on novembro 9 2011

    Caro Autor,

    Bom saber que você defende a idoneidade do INMETRO, assim não poderá dizer depois que as certificações futuras não terão validade.

  30. autor

    on novembro 10 2011

    Antônio R.,

    Idoneidade? Nunca falamos sobre isto aqui, amigo…
    Desculpe mas não somos Juízes. Aqui fazemos análise técnica da situação. Apenas isto.
    Se quer saber nossa opinião sobre o Inmetro, veja alguns links antigos e veja que fomos os precursores na reivindicação da presença de um órgão técnico.

    Post de 19/03/2010: http://www.relogio.deponto.com.br/voce-entende-o-que-e-uma-norma-tecnica/
    Post de 19/03/2010: http://www.relogio.deponto.com.br/porque-os-orgaos-homologadores-nao-utilizam-uma-norma-comum/
    Post de 31/03/2010: http://www.relogio.deponto.com.br/o-que-e-um-orgao-certificador/
    Post de 27/07/2010: http://www.relogio.deponto.com.br/313/
    Post de 12/05/2011: http://www.relogio.deponto.com.br/portaria-1510-revisao-do-srep-ainda-que-tardia/

    Mas, atenção, amigo!
    É preciso saber que o Inmetro agora atua sob regras da 1510, onde todos sabemos que são falhas.
    É necessário ainda que se tenha muita atenção, pois a regulamentação (mesmo pelo Inmetro) não pode encobrir erros passados. “Tampar o sol com a peneira” não resolverá a questão. E talvez transcenda a atuação do Inmetro analisar o que cada aspecto técnico traz de implicações jurídico-trabalhista aos usuários dos equipamentos. Isto tem que ser bastante discutido.
    Também ressaltamos que um processo de normalização no Brasil habitualmente é comandado ABNT, que é um órgão independente, não governamental. E ainda não vemos sua presença no processo. Cremos ser também de grande importância a participação desta instituição.
    Reforçamos que 30 dias para uma consulta pública deste porte deverá ser insuficiente. Fica nosso alerta. Nosso intuito, ao contrário do que muitos aqui apregoam, sempre foi o de contribuir com a sociedade. E de alguma forma sentimos que temos atingido os objetivos!

  31. Antônio R.

    on novembro 11 2011

    Significado de Idoneidade

    s.f. Qualidade do que é idôneo; capacidade, competência, aptidão.

    Acredito que você já falou algumas vezes sobre capacidade e competência técnica relacionada à portaria.

    Com certeza as homologações pelo INMETRO darão mais creidbilidade a todo processo.

    No final das contas, terá que ser contra a medida apenas porque ela é prejudicial a você, uma vez que os argumentos vão se esgotando.

  32. autor

    on novembro 11 2011

    Antônio R.,
    Perspicaz!
    Consideramos o significado mais usual. Que é moralmente correto (ex.: agiu de forma idônea). = HONESTO, ÍNTEGRO

    Amigo, não estamos nisto por objetivos pessoais. Ao contrário.
    Os argumentos também não se esgotam. Ao invés disto, chegam aos borbotões aqui no site.
    O problema é que abrimos um canal verdadeiro, onde pessoas comuns podem compartilhar problemas. Esta ferramenta aqui acaba sendo útil a todos. Infelizmente não agrada aos que de alguma forma têm interesses pessoais nesta censurável medida.

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