Tudo sobre relógio de ponto

Comentários do leitor – Ricardo, em 23/02/2011 às 14:00

Voce tem razão, mas o problema de algo que começa errado, é que sempre termina errado.

Uma prorrogação neste momento lançaria mais confusao ao mercado.

Se tenho dado opinioes favoraveis a P1510, é pq trabalho numa fabricante de ponto (algo que deve ter sido percebido), empresa esta que investiu, de 2009 para cá, milhoes de reais no desenvolvimento de uma novo equipamento, de acordo com a P1510. Desde a publicação desta portaria simplesmente paramos de vender os aparelhos antigos, uma queda de 70% de faturamento. E mesmo diante disso e da gritaria generalisada de desespero de nossas revendas, nunca tive um dia de atraso em meu pagamento. A minha empresa investiu na contratação de pessoal, na compra de bens de produção e na mudança de sede, tudo isso para viabilizar a aumento de sua produção.
Agora lhe pergunto, quais seriam as consequencias de uma prorrogação da P1510 para a minha empresa e para as demais que tambem se viram na necessidade de investir para se adaptar e nao fechar as portas?

Ricardo,

Não tenha dúvidas de “o que começa errado, sempre termina errado” !

A visão de futuro que tivemos desde o início era assim, assustadora. Só não achávamos que o erro fosse tão longe!

Esta disfuncionalidade criada nos equipamentos certamente faria com que o próprio mercado criasse soluções outras que levariam a indústria de Ponto Eletrônico à falência.

Os equipamentos ficaram mais antiquados, menos funcionais. Foram tecnicamente nivelados por baixo, e ainda gerou um “boom” momentâneo de consumo; fatores estes que facilitaram a entrada dos importados com mais vigor. Isto também funcionou como um incentivo ao uso de processos mecânicos, em prejuízo da indústria essencialmente eletrônica e principalmente de software.

Os altos custos de certificação, e, principalmente o desacerto destes processos tornam o custo de produção maior e mais arriscado.

É surreal acreditar em ações bem planejadas de mercado, investindo em produtos e processos em que haja uma piora para os clientes. As empresas buscam evoluções, diferenciais de mercado, que as fazem crescer. A portaria, novamente citando, nivelou por baixo os produtos, criou insegurança, instabilidade, dúvidas. Quem pensava antes em comprar produtos para controle de ponto, desistiu. Quem queria uma solução de acesso conjugada com ponto, não pode mais!

Muitos aventureiros surgiram no cenário. Fabricantes de balanças, de outros equipamentos, até de pão de queijo investiram nisto!

Mas o mercado flutua… muitos compradores buscarão soluções de controle em outros setores: equipamentos de segurança, por exemplo.

Pequenas e médias empresas que se acostumaram com o Ponto Eletrônico, retornarão ao mecânico ou até mesmo ao livro.  Fora problemas setoriais como o dos prestadores de serviço externos ou agroindústria, que não têm como ser atendidos pelo ponto eletrônico mais.

Mais uma vez a indústria do ponto eletrônico perde fatias consideráveis do mercado.

Veja, Ricardo! O que falamos desde o início é que no mínimo houve um erro de avaliação por parte dos principais fabricantes.

Se há erro, não podemos contribuir com ele. Entenda isto!
O Ministério disse para pular no precipício e nós vamos pular? Puxa, não é assim não! E aí que achamos que os fabricantes erraram feio, infelizmente! Infelizmente para todos nós, que temos resistido à esta insanidade do MTE. Infelizmente para vocês, que já tiveram prejuízo e certamente ainda terão mais.

Daí eu te pergunto:
Por que vocês aceitaram passar por um processo de certificação mesmo sabendo dos erros?
Por que, sabendo que está errado ainda assim aceitam assinar um Termo de Responsabilidade a seus clientes?
Por que não recorreram à justiça ou não colocaram a boca no trombone?
Para que investir em um produto que traz ao seu mercado falta de segurança, atraso tecnológico, queda nos negócios?
Por que arriscar o nome de uma empresa, abalar a confiança de seus clientes em uma aventura como estas?

Certamente sabemos que se pensassem bem nestas perguntas não trariam solução financeira para sua empresa, somente solução ética.
Lamentamos muito mesmo que de certa forma o Governo – aquele que deveria propiciar um ambiente saudável de negócios, é justamente quem causou estes prejuízo todo!

Mas ainda há tempo de corrigir não acha? Basta ATITUDE!

Para refletir….

Desde que resolvemos editar este portal, recebemos quase diariamente na parte Contato do site, informações interessantes inclusive de outros fabricantes, desenvolvedores ou revendedores, que passam a contribuir com nosso conteúdo:

“Aos fabricantes de relógios de ponto coube o silêncio por mais de 6 meses na fabricação e venda dos modelos atuais por força da Portaria”

“O REP é lacrado e trava se for aberto por qualquer pessoa ou assistência técnica, podendo ser desbloqueado ou consertado somente pelo fabricante levando ao ócio milhares de profissionais que até então mantinham empregos diretos e indiretos com a intervensão e manutenção dos relógios”

“estou ao dispor para colaborar no que for necessário para que a sociedade possa contar com uma solução democratica e viável”

“Somos uma indústria de equipamentos e também vamos lançar o REP em breve. Concordo 100% que deve existir uma norma técnica para o equipamento e também para o software de gestão de ponto.”

“Como está hoje temos um futuro nebuloso pela frente pois não precisa ser muito inteligente para saber que são necessárias modificações.”

“O problema é que o MT está demorando muito para acordar, e quando o fizer já existirão dezenas de equipamentos homologados sem critérios técnicos defindos em normas técinicas.”

“Quem vai pagar o preço de tamanha incompetência?”

” considero que a locação não vai mais existir no caso desta portaria permanecer inalterada (o que acho quase impossível).”

“veio a Portaria 1.510 proibindo o uso de ponto eletronico através do micro. Para nós foi e ainda é, uma medida mortal pois desenvolvemos todo o nosso trabalho de 30 anos nessa linha.”

“Sou fabricante e quero parabenizar pela iniciativa”

11 Respostas to “O que começa errado… Portaria 1510 – Relógio de Ponto Eletrônico”

  1. Jorge Possamai

    on fevereiro 23 2011

    O problema é que opiniões contrárias são censuradas aqui, o que compromete toda credibilidade deste site.

  2. autor

    on fevereiro 23 2011

    Jorge,

    Aqui só não veiculamos mensagens que geram ofensas, promoções comerciais, ou assuntos que não dizem respeito ao debate. Preferências políticas também são evitadas.
    Pedimos a você que se mantenha no debate em alto nível, se quer que todas as suas mensagens sejam publicadas. Caso queira maiores informações, preencha seus dados na seção contato, que retornaremos.

  3. Valdir R. Silva

    on fevereiro 23 2011

    Ricardo,

    Durante os últimos 30, 40 dias,por diversas vezes, nós tivemos opiniões diferentes a respeito da Portaria 1.510. Claro, vi sem nenhum venda, que vcoê defendia fabricante e governo. É um direito seu que devemos respeitar, afinal é de lá que saí o dim-dim para seu sustento. Mas, meu amigo, me permite chamá-lo assim, tudo tem que ter avaliação, antes de embarcar numa aventura, numa defesa. Aliás defender alguem,ou uma causa sempre nos torna mais nobre quando fazemos com consciencia de que estamos certos.

    No caso dos fabricantes, falei ainda dias atrás, que compreendia a situação dele. De repente, depois da portaria, todo o seu estoque, todo o seu aparelhamento de fabricação, representantes, ficaram sem ter o que vender! Ficaram sem rendimentos! Então optram em apoio irrestrito à portaria, mesmo que ela sangrasse por todos os lados. Foi um erro, e grande. O tempo vai provar que tenho razão.

    Aderiram à Portaria 1.510 e fecharam os olhos para toda a arbitrariedade que ela determinava, todas as obrigações e imposições ao empresário brasileiro, retirando dele o direito de gerir a sua empresa. Ter que ficar na mão do funcionário, que agora, sem regras podia fazer o que bem entendesse. Se essa atitude, a da criação da portaria, tivesse sido feita por pessoas como as que ajudaram o ministro a criar esta “monstra”, até que se podia entender, afinal eles não entendem nada da área, nada mesmo.

    Os fabricantes conhecem o dia-adia das empresas e sabiam que aquela portaria era uma aberração. Talvez, ao invés de aderir e ficarem defendendo o “bandido” tivesse se juntado a nós contra a portaria, a maioria dos prejuizos teria sido evitados. Porque todos vamos ser lesados.

    Você comentou o prejuizo do fabricante de relógio, agora imagine o meu, meu caro. Trabalho a 30 anos na área de ponto, e desde 1994 deixei de usar o relógio para registrar o ponto. Passei usar o microcomputador, desenvolvendo ao longo dos últimos anos uma versão em Delph que nos custou nesses últimos 13 anos mais de 400.000,00 em salários de programadores entre outras depesas, e o sr. ministro, com uma simples canetada, no seu artigo 8 da bizarra portaria, respondendo a uma pergunta se seria permitido registrar o ponto via computador, respondeu com um simples NÃO. COMO DONO DA VERDADE ABSOLUTA.

    Observe, Ricardo, que para poder VALIDAR a eleição da nossa presidenta Dilma, foi utilizado uma urna eletrônica, com um Software feito por programadores, e o voto enviado via INTERNET para o T.S.E.; O próprio tribunal e os juízes de todo o judiciário utilizam o microputador para darem suas sentenças etc.etc.. a Receita Federal, utiliza os mesmos recursos para fazer a DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA, NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS, tudo eletrônicamente, com um SOFTWARE”!!!!!!!!

    Pergunto: Será que os Softwares do Governo são mais garantidos que os outros? Mais …mais o quê?

    Então, voltadno ao nosso assunto, como disse inicialmente, muitos vão levar prejuízos. Tanto os FABRICANTES DE RELÓGIOS – OS EMPRESÁRIOS QUE COMPRARAM OS REPs e outros como nós da Spaut.

    Quem será responsabilizado por tudo isso?

    Valdir R. Silva

  4. fernando pereira

    on fevereiro 23 2011

    Autor,tenho acompanhado os posts do Ricardo e os seus também. E isto tem me ajudado a construir uma opinião bem legal sobre o impasse. Você falou uma coisa aí que eu não tinha pensado: A estratégia usada pelos grandes fabricantes de registradores de ponto diante das insanidades da portaria 1510. Grande empresas como Dimep, RodBel, Telemática, têm vivência de décadas no mercado, têm poder de fogo e poderiam tranquilamente oferecer assessoria ao MTE na condução do assunto. Poderiam ir à imprensa, discutir com as entidades de classe.Poderiam mostrar as incongruências técnicas da medida e (quem sabe?) até propor um equipamento viável e aderente à realidade. Mas o que fizeram?? Criaram uma associação (!) ABREP para defender com unhas e dentes os milagrosos efeitos da portaria!!! Ficaram quietinhos diante de uma oportunidade estupenda de vender milhões de REPs. Que maravilha, né? É como se os fabricantes de automóveis recebesse de presente uma medida do governo que obrigasse que todos os veículos de passeio tenham 3º eixo e seis rodas!!Qual segmento da industria não quer isso?? Uma renovação de toda a “frota” do país em pouco mais de uma ano!! É isso: estas empresas perderam a oportunidade de prestar um serviço à sociedade, e ainda por cima poderiam faturar alto uma medida tecnicamente viavel. É bem provável que tenham êxito os três projetos de lei que tramitam no congresso pela revogação desta estúpida medida dentro dos próximos 120 dias. Aí será a perda quase total. PS.: Hoje eu deparei com anuncio da Dimep oferecendo relógios de ponto cartográficos e eletrônicos convencionais com um alerta: PRODUTO NÃO SE ENQUADRA NAS EXIGÊNCIAS DA PORTARIA 1510/09 DO MINISÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Será porque, hein???

    será que os fabricantes também estão de olho na revogação da 1510 ???

  5. Ricardo

    on fevereiro 24 2011

    Autor e Valdir
    Existe fundamento em todas as suas argumentações.
    Mas nao posso deixar de lembrar que voces dois estao defendendo o seu “peixe”. Ou seja, nós 3 estamos na mesma situação, defendemos o que achamos ser o justo e o correto.
    Nao concordo quando dizem que as fabricantes fizeram uma má escolha. Pois na verdade, adequar-se a P1510 era a única escolha viável a ser feita. Imagine se nao tivessemos nos adaptado, hoje certamente teriamos fechado as portas e colocado uma 100 pessoas na rua.

  6. Oculto

    on fevereiro 24 2011

    Senhores, vejam isso: http://www.abrep.com.br/artigos.html

  7. autor

    on fevereiro 24 2011

    Ricardo, é reconfortante ouvir isto de quem já foi tão veementemente contrário à nossa opinião.
    Permanecemos no entanto com algumas divergências, e a escolha do fabricante é uma delas. Nunca achamos ser viável nem mesmo para a própria imagem dos fabricantes a atitude contrária aos interesses de seu cliente. Nisto é mesmo difícil concordar. Também não achamos que a escolha era uma só, a de ir de encontro aos caprichos do MTE. Achamos que sempre houve espaço para contestar, com prejuízos, é claro, pois este elo é o que une a todos que de certa forma estão neste mercado, em relação à Portaria 1510.
    Fato é que muitas empresas, a duras penas também não se adequaram, e perderam muito, mas não o brio, não garra e não a confiança de seus parceiros e clientes.

  8. Donizetti

    on abril 6 2011

    Bom dia concordo com quase tudo que foi escrito mais a minha opinião sobre tudo isso sou de uma revenda e a principio achamos que seria formidavel porque venderiamos muitos reps só que quando surgiu os primeiros vi que faltava muito para se chegar em qualidade e não só vender e o cliente que se dane e as fabricantes só pensava em por produto no mercado a cada dia era só incentivo para revendas de compra promoções e isso é um absurdo porque qualidade tem muito a ver com um seguimento da revenda junto ao cliente que torna a ser seu amigo.

  9. autor

    on abril 6 2011

    Donizetti,

    Agora as revendas começaram a se atentar para as questões que nós levantamos desde o início. Veja um texto que escrevemos sobre isto em fevereiro/2011.
    http://www.relogio.deponto.com.br/brincando-com-o-revendedo/

    Fazemos um convite a você: faça parte do nosso grupo de articulação. Preencha corretamente na parte contato do site os seus dados que faremos contato.

  10. Fernando Cesar Bragato

    on outubro 5 2011

    Na realidade esta portaria não trata dos direitos dos trabalhadores, e sim dos direitos dos fabricantes de relógios de pontos, o que também acabaram de entrar pelo cano. Pois somente os que já se prontificaram em alterar os relógios conforme a portaria antes mesmo dela ser publicada, ou seja, Loby… Não acredito que vá dar certo esta forma, pois imaginem uma empresa com mais de 200 funcionarios esperando seu ticket… vão ser obrigados a chegarem antes e sairem antes tambem. pois o patrão não vai querer pagar minutos extras todos os dias por culpa do sistema de ponto. isso é inaceitável. Fico encabulado como tem gente Tórpes neste Brasil. Incrível. Voltamos na época do desmatamento novamente, pois só para fabricar as bobinas de papeis agora, teremos que desmatar vinte estadios de futebol por dia para dar os comprovantes para os funcionários que não querem isso. Fiz uma pesquisa e os próprios funcionários odiaram a idéia, cerca de 88% dos entrevistados perguntaram, onde vou guardar os tickets durante o periodo que trabalho na empresa?????.. brincadeira né…

  11. autor

    on outubro 5 2011

    Fernando Cesar,

    Obrigado por participar conosco. Continue opinando em nossos posts mais recentes. É lá que a discussão atual anda acontecendo.
    http://www.relogio.deponto.com.br/quarto-adiamento-da-portaria-1510/

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