Tudo sobre relógio de ponto

Texto enviado pelo Leitor Flávio Martis em 01/06/2011

Olá,

Parabéns mais uma vez pelo espaço.

Aqui é um lugar no qual a gente pode expressar e compartilhar as nossas idéias e sugestões de forma democrática. Precisamos do apoio de vocês para uma articulação relativa a análise tripartite pautada pela Portaria 917 (Grupo de Trabalho) para que possam ser  ”convidados”  os fabricantes do REP ou mesmo os “imparciais” representantes dos Órgãos de Certificação nomeados pelo próprio Ministério do Trabalho.

Com 29 anos neste ramo fico perplexo em viver o grande estrago que esta Portaria fez (e está fazendo) no mercado de relógios de ponto…

É no mínimo pretencioso o pensamento de que as decisões de um grupo composto por representantes do MTE, da classe dos empregadores e dos trabalhadores possam concluir uma solução técnica sem o aval de profissionais, compatriotas, que militam há décadas neste segmento e sem uma normatização expedida pela ABNT.

Alicerçado pelo nosso regime democrático, questiono:

Por qual motivo os fabricantes não foram convidados a participar deste grupo?

Ele realmente trabalhará por uma decisão tripartite ou serve apenas como cenário para justificar que as medidas tomadas pelo MTE não foram arbitrárias e ditatorias como já claramente revelado?

Como a opinião pública saberá, de fato, o que foi analisado, conduzido, discutido e definido nesta análise da Portaria 917?

As reuniões serão filmadas pela TV da Câmara ou outra para que possamos assistir a sua condução? Será pública?

A posição dos fabricantes como empregadores e contribuintes com atividade diretamente ligada ao processo, permite uma Ação administrativa pela ABREP – Associação dos Fabricantes de Registradores Eletrônicos de Ponto requerendo esta participação.

Além de todas as perdas com a paralisação das vendas dos relógios informatizados existem pesados investimentos em pesquisa, desenvolvimento, certificação e fabricação dos REPs com inúmeras unidades já instaladas e em uso.

A classe está muito prejudicada e ignorada pelo MTE. Conheço uma indústria que demitiu um expressivo número de trabalhadores, deixando famílias ao relento e outra que já se inclinou para o segmento de controle do acesso…

Será ótimo que no final da decisão o Brasil ainda conte com indústrias que resistiram a esta fase para fabricar o que foi decidido… no mais, é rezar para que um projeto sem uma competente engenharia, funcione.

Depois da informação de que muitos REPs do mercado demorem mais de um dia para espelhar os dados da memória cheia para o pendrive do fiscal, tudo é possível.

Fraternalmente,

Flávio Martins


Comentários da equipe do Relógios de Ponto:

Prezado Flávio,

Agradecemos muito sua presença aqui no site, contribuindo com suas experiências. Depoimentos como o seu trazem lucidez à discussão, e não poderíamos deixar de externar mais uma vez nossa opinião.

É verdade que o MTE está tentando “juntar os cacos” desta coleção de portarias e instruções, encabeçadas pela 1510. E por último agora, esta  917, que institui um Grupo de Trabalho, muito espantosamente a esta altura, para discutir, revisar e aperfeiçoar o Sistema de Registro Eletrônico de Ponto – SREP. Ora, depois de tantas trapalhadas feitas pelo MTE ao longo destes 2 anos, tentando barrar a discussão pública! Agora que foi aberta esta porta, o mínimo que se esperava deste órgão é que promovesse algo sério, compromissado e dentro da realidade.

Como é que se vai discutir aspectos técnicos sem a participação de técnicos? É lógico que eles serão necessários! Órgãos técnicos como a ABNT, INMETRO e outros do sistema metrológico brasileiro são fundamentais. Sim, precisamos dos fabricantes! Mas veja que a ABREP não representa a totalidade dos fabricantes, mas somente aqueles que se curvaram a produzir os frutos da 1510 e seus erros… É necessário contemplar todos os fabricantes de hardware e software. É necessário também ouvir técnicos em RH, Direito do Trabalho, e vários outros especialistas que atuam em um mercado que sofre com as consequências deste ato impensado.

Muito bem dito por você também quanto prejuízo tem tido os operadores deste mercado de equipamentos de ponto: fabricantes (de REP ou não), empresas de software (que perderam com investimentos e ainda com a evasão de clientes que retrocederam aos registros de ponto em cartão), revendedores, instaladores, etc… É um mercado que movimenta muita gente;  sofreu drástica queda de faturamento ao longo deste período,  e atualmente agoniza com a falta de rumo e de segurança.

Não podemos esquecer que o Brasil possuía antes da Portaria 1510 indústrias pequenas, médias e grandes neste setor, que atendiam bem ao mercado. Hoje, o pouco que se vende aqui ainda tem que ser dividido com equipamentos asiáticos, muitos, colocados à venda, somente respaldados pelo oportunismo que a 1510 proporcionou.

Os produtos atuais, nacionais ou não, são mais limitados que os de antes, e  nem sequer conseguem atender aos requisitos do MTE, mesmo que homologados. Mas o pior é a insegurança que eles trazem aos usuários, por não garantir o que se espera deles. Nenhum usuário terá no REP prova irrefutável dos controles da empresa.

Os que investiram nos REP´s porque queriam vender mais, não vendem; pois este é um produto pior e inseguro. Os que não investiram por não concordar em prejudicar sua imagem e seus clientes, também não vendem.

Como se vê, não há saída! Com tanta falta de credibilidade neste setor, vemos a “quebra” de muitos negócios. Ou seja: os danos causados ao setor são irreparáveis. Acreditamos que ainda teremos sequelas por muitos anos….

Lembre-se que um mercado se faz com bons produtos, demanda e credibilidade.

Não sabemos quando poderemos aguardar uma atitude acertada por parte do MTE, ou de algum outro que tenha a lucidez de resolver o problema.

15 Respostas to “Portaria 1510: empresas de Ponto Eletrônico em Loop!”

  1. Nilson

    on junho 16 2011

    Vejam bem. Me senti na mesma posição do amigo Flávio.
    Também trabalho há mais de 20 anos neste ramo.
    No início, pensamos que a portaria do ministério serviria para melhorar as coisas no nosso ramo, já que preços baixos de antes subiram muito.
    Eu que tenho uma pequena revenda, tivi dificuldade no começo pois as fabricas tavam exigino muito para comprar os REP mas agora nao. Todo mundo quer que eu venda o relogio deles. E também tem esses reloginhos chineses que tão entrando barato demais, mas a assistencia deles é que vamos ver pra frente como fica. Fora que eu ja perdi venda tambem porque o REP deu pau lá no cliente e a fabrica fala que e assim mesmo.o cliente devolve a compra.Tem fabrica que depois fui descobrir que nao é fabrica nada. É só uma loja onde eles ficam importando da china e colocando a venda para as revenda.
    Daí agora tem muita revenda que tá virando fabrica porque ficou fácil de comprar da china. Pelo que fiquei sabendo, relogio de cartão que sai até a 80 dolar.Só que mesmo baixando preços dos REP e dos de cartão os clientes sumiram. Ninguém compra mais porque não sabe o que comprar.A tal da portaria não anda nem desanda.
    E nem a gente que vende não sabe o que deve oferecer pro cliente.Esse negocio tem que ser resolvido logo porque na minha opiniao nem as revenda nem as fabrica vao aguentar muito tempo desse jeito.

  2. autor

    on junho 16 2011

    Nilson, obrigado pela participação.
    Este seu comentário casa bem com o de outros revendedores que temos recebido ao longo destes meses. É o que temos dito desde o início: a portaria prejudicou as empresas do segmento e este trauma vai demorar a ser esquecido. Tomara que a solução venha logo!

  3. J.M.CASTRO

    on junho 16 2011

    Grande Flávio!

    Excelente a sua colocação.
    Tens toda a razão e de fato, algo tem que ser feito com a máxima urgencia, se não, fatalmente iremos assistir uma quebra geral, coisa que não desejamos de forma alguma, em razão dos milhares de dependentes desse mercado, que tão bem conhecemos.
    Forte abraço.

    Castro.

  4. autor

    on junho 16 2011

    Castro,

    Obrigadíssimo pela participação. Nosso ponto de encontro aqui está aberto para você também. Sds.

  5. Antonio Nogueira

    on junho 17 2011

    Interessante que este site só divulga comentério favoráveis ao fim da Portaria.

    Muito interessante este “diálogo”

  6. autor

    on junho 17 2011

    Antônio,

    Aqui, divulgamos tudo que não é ofensivo e que contribui para nossa discussão.
    A internet é livre para opiniões diversas e até agora não surgiu nenhum site “favorável”. Será por que ninguém quer carregar esta bandeira?

  7. Valdir R. Silva

    on junho 18 2011

    Pessoal,

    Estamos enfrentando uma batalha que já dura mais de 2 anos. O assunto é o mesmo, e os mesmos adversários: Os pré-históricos Homens-de-neandertal, que foram extintos e ainda não foram informados.

    O que fica patente e mais estranho é o tamanho da “surdez” dessas pessoas. Têm horas que fico imaginando no que eles acreditam ser a verdade. Sim, porque a verdade têm muitas faces. Têm a face do interesse comercial, que para alguns essa face, para conseguir que querem, passam por cima de qualquer coisa, desde que lhe atenda o desejo. Ai, nesse momento, eles são capazes de defender até “belzebu” dizendo que é santo. Vivem em função do dinheiro, nada de cumprir o que verdade pede.

    Têm outros que, num determinado momento, achou que estava fazendo a coisa certa e depois, muito tempo depois, descobriu que estava errado. Estava errado mas a sua posição social, a sua imagem pública, não permite que ele reconheça publicamente que agiu errado e que deseja consertar o erro. Por isso, continua em frente de olhos fechados. Como um elefante desgovernado, à espera do tiro fatal!

    Estou trabalhando na área de controle de ponto desde 1978. São trinta e três anos fazendo a mesma coisa. No começo eram os relógios tradicionais, à corda, monstros do passado. Atrasavam ou adiantavam o tempo. Depois o progresso chegou e passamos para os relógios eletrônicos, movidos á pilha ou a eletricidade. Era a primeira ponta do progresso na área. E, finalmente, os RELÓGIOS INFORMATIZADOS que acabaram de vez com uma série de problemas e trabalho que o pessoal do RH precisavam passar todos os meses. O RELÓGIO ELETRÔNICO trazia tudo somado, pronto para enviar para o FINANCEIRO e pagar.

    Um detalhe IMPORTANTE:

    Na realidade quem fazia toda essa operação milagrosa de apresentar tudo somado e sem erros era o SOFTWARE DE PONTO, instalado no micro. Ele é que desvendava a mensagem recolhida do relógio, em forma de TXT, ( data/hora/código do funcionário) colocando cada registro feito no lugar correto para gerar horas trabalhadas – horas extras – ou faltas. Ele é a ALMA de todo esse trabalho.

    Nesse período desejo fazer um parêntese. Foi quando descobrimos que o computador tinha as mesmas ferramentas que os Relógios Informatizados e trabalhava muito mais eficaz. Nessa época, 1991, a nossa empresa dispensou de vez os relógios e passamos a usar somente o micro com o nosso software de ponto. Acredito que ali, naquele momento, nascia o futuro da ÁREA DE CONTROLE DE PONTO.

    O micro existia em todas empresas e se acontecesse algum defeito, bastava mudar o programa para outro micro e o ponto continuava normalmente, sem perda ou prejuízos. Não precisava mais: Lavar e lubrificar a cada três meses; trocar fita; trocar serial queimada na última chuva; pino da rebuscurela e outros nomes, (sei lá ). Tudo isso onerando o dono da empresa que não tinha outra opção, senão pagar o conserto para continuar funcionando.

    E, de repente, aparece o Ministério do Trabalho, andando na contra-mão do tempo, mudando tudo, tirando do dono da empresa o até seu direito de mando que faz parte do contrato de trabalho. A nova portaria permitia tudo, tudo e tudo. O dono da empresa paga!

    Para completar incluíram na portaria 1.510 uma linha, curta e grossa, dizendo que o Ponto Eletrônico via computador não tem validade! Isso sem oferecer algum argumento sério, técnico e comprovadamente válido, que sustentasse a sua recusa em seguir a linha do desenvolvimento que está ocorrendo em todo mundo.

    O MUNDO HOJE É INFORMATIZADO!

    É claro que o ministério do trabalho poderia exigir que os Softwares de Ponto, via computador, tivessem esse e aquele instrumento que impedisse fraudes, erros etc…como deve acontecer com os programas que VALIDAM UMA ELEIÇÃO, ATÉ PARA PRESIDENTE! Tem que existir porque, senão, haverá eleições fraudulentas. Mas preferiram fazer o REP, hoje já totalmente invalidado em vários segmentos. Fraudado o que deveria ser à prova de fraudes! Está definitivamente provado a incompetência do REP em impedir essas fraudes.

    O ministério do trabalho preferiu sair na mídia e DIFAMAR A TODOS NÓS, FABRICANTES DE SOFTWARES, COMO FRAUDADORES que, até, via Internet, ensinávamos fraudar. É claro que em nossa classe, como em qualquer outra sempre vai existir os desonestos, mas não somos todos ANTICIDADÃOS. E MESMO ASSIM, o papel que caberia ao ministério do trabalho seria o de sair em campo, fiscalizar, localizar estes fraudadores e aplicar as penas que a lei determina. Esse seria o papel honesto.

    Agora, depois de todo esse tempo, vejo lutas de todos os setores para participar do tal grupo de trabalho para regulamentar a portaria e dar validade a ela. De um lado o ministério do trabalho com a vontade férrea de aprovar esse elefante branco e de outro lado os fabricantes de relógios se defendendo de prejuízos etc… Mas eles ganharam um novo filão! Vão vender novamente para todos os clientes que já venderam e aumentar seus lucros. Estão chorando de barriga cheia. Agora imagine aqueles que, como eu, investiram durante tantos anos para produzir um produto de altíssima tecnologia, igual às dos melhores do mundo, e de um momento para outro ficarmos sem poder vender o nosso produto. São trinta e dois anos de trabalho jogado fora! Faça as contas e veja o nosso prejuízo.

    Depois vem alguém dizer que isso é democracia. Enganam-se! É demagogia!

    Valdir R. Silva

  8. Rodrigo Dallagnollo

    on junho 20 2011

    Por que este blog é anônimo ? Quem é o “autor” que escreve no mais puro anonimato ?

  9. autor

    on junho 20 2011

    Rodrigo,

    Aqui privilegiamos o debate e o tema em discussão.
    Somos vários autores e você pode encontrar maiores informações sobre nós na parte “Quem Somos” do site.
    Se quiser participar da discussão, esteja à vontade!
    Obrigado pela participação.

  10. Igor Bonatti

    on junho 20 2011

    Valdir,

    Fiquei lendo o que voce escreveu e me lembrei que há algum tempo eu tinha um relógio mecanico aqui na fábrica. Daí, tinha muito erro na marcação, e também era muito difícil de somar as horas. Então, um dia, veio um fiscal do trabalho aqui e nos orientou a comprar um relogio eletrônico, pois estas rasuras e erros de marcação e soma nas hora não existiam.
    Segui o conselho. Resolvi comprar um relógio eletrônico, o que melhorou muito a minha vida e também a de meus funcionarios.
    Mas agora com esta nova lei eu voltei para o antigo relógio. Tá um sofrimento de novo. Todo mundo acha ruim, principalmente eu, que tenho um trabalhão todo mês.´
    Então eu vejo que depois que se conquista um certo conforto é difícil demais voltar a andar de carroça, não é?

  11. autor

    on junho 20 2011

    Igor,

    Em nossa opinião, você foi precipitado ao retornar ao relógio mecânico, visto que a portaria 1510 ainda não entrou em vigor.
    Bom lembrar também que existe é uma portaria, e não uma Lei.
    Por isto tem sido questionada. Por isto temos convicção de que não entrará em vigor.
    Mas veja como seu depoimento dá mostras de quanto o país tem tido de prejuízo com esta medida… E olha que ela nem está valendo…

    Obrigado pela participação.

  12. Clotilde

    on junho 24 2011

    Nós adquirimos um REP logo que a Portaria saiu para fazermos um teste, de uma marca muito conhecida no mercado.
    Os problemas que ocorreram : o comprovante emitido de um funcionário saia com o nome de outro. Foi para a fábrica e trocaram uma peça; Depois de algum tempo deu problema na memória, foi novamente para a fábrica e eu queria cancelar a compra, mas eles imploraram para trocar o equipamento, gerando retrabalho para cadastrar todos os funcionários.
    Questões :
    Posso confiar nos arquivos “eternos” obrigatórios deste equipamento?

    Por que não posso imprimir a folha de ponto no final do mês e entregar para o meu funcionário ao invés de obrigá-lo a guardar um monte de papelzinho que polui o meio ambiente e ninguem guarda mesmo? (Nem o hollerith eles guardam).

    Quem é honesto e paga corretamente seus funcionário vai continuar sendo. No que um relógio de ponto digital vai impedir dos maus patrões continuarem a fazer “maracutaia” para pagar errado?

    Estou ainda em dúvida se esta coisa pega mesmo!!!

  13. autor

    on junho 24 2011

    Clotilde, importantíssimo seu depoimento. Em breve editaremos um novo post com suas experiências.

  14. Claudete

    on julho 29 2011

    Boa Tarde!!

    Trabalho em uma revenda de relógios de ponto, e posso lhes afirmar que as vendas caíram drasticamente, porque às empresas estão com o pé atrás em relação a está portaria ou porcaria? A verdade é que somos comandados por um bando de psicopatas que não estão nem ai com as leis que eles mesmo criam e nos fazem de fantoches ou porque será que o Sr. Carlos Lupi não se pronunciou até agora, hein? Interesses capitalistas e nós como trabalhadores deste país, ficamos à mercê destas mentes perigosas e esses bando de parasitas sangue sugas.Só resta nos defendermos com poucas armas que possuímos.

    Claudete

  15. autor

    on julho 29 2011

    Claudete,
    Junte-se a nós! Traga suas experiências!
    Há uma parte do site “Contato” onde o que se escreve não é publicado. Deixe lá seus contatos.
    Precisamos realmente mobilizar o mercado para ter de volta a segurança e a transparência necessária à sobrevivência de todos.

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