Tudo sobre relógio de ponto

Dez razões contra o ponto eletrônico

Jocélio Leal
leal@opovo.com.br
24/08/2010 02:00

A Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), entidade que reúne 80 federações, confederações, sindicatos e empresas prestadoras de serviços, elaborou 10 motivos que justificam posição absolutamente contrária ao Sistema de Registro Eletrônico de Ponto, cuja exigência foi adiada para 1º de março de 2011 pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Adiada, mas não cancelada.

1 – É caro

O equipamento custa entre R$ 3,5 e R$ 7 mil – e será preciso ter mais de um a cada 200 funcionários. A empresa terá custos com treinamento, adequações diárias, software, certificações, tinta, papel e manutenção.

2 – É inútil

Os equipamentos atuais servem para sua finalidade. Os que praticam fraudes poderão continuar a cometê-las da mesma forma, bastando, para isso, imprimir os comprovantes a qualquer hora, como se correspondessem à verdade.

3 – É retrocesso

Fará com que milhares de empresas voltem para o ponto mecânico e manual, para evitar tanto custo e burocracia.

4 – É injusto

Está sendo imposto sob a alegação que há empresas que fraudam os horários dos trabalhadores. Em vez de fiscalizar e punir essas empresas, o Ministério resolveu punir todas;

5 – É ambientalmente perverso

Implica uso de matéria-prima para a produção dos novos equipamentos – com baterias, impressoras, tintas. E também o uso de papel. O descarte do equipamento antigo gerará lixo industrial.

6 – É desperdício criminoso

Verdadeiro crime contra o País, que deveria estar usando os parcos recursos de que dispõe para qualificação, produtividade, pesquisa, produção de mais e melhores bens e serviços por menores preços;

7 – É ilegal

Não se pode, por meio de Portarias, criar tantas obrigações e custos não previstos em lei.

8 – Prejudica trabalhadores e consumidores

O cumprimento da medida e a compra de equipamento prejudicam os trabalhadores, pois haverá menos recursos para atender reivindicações, além de obrigá-los a ficar mais tempo na fila do ponto. As empresas sempre acabarão transferindo o custo para os produtos e serviços.

9 – Prejudica pequenas empresas

As que já usam ou querem usar o ponto eletrônico terão que pagar pelo ponto o equivalente ao aluguel da sede ou a folha de pagamento, além dos gastos inerentes ao sistema; ou terão que voltar atrás na evolução tecnológica. Beneficia, e muito, umas poucas empresas fabricantes.

10 – Prejudica o País

Por consequência, mais uma vez prejudica o País, que sofre retrocesso em virtude do poder que os burocratas exercem na máquina pública.

Fonte: http://opovo.uol.com.br/app/colunas/vertical-s/a/2010/08/24/int_verticalsa,2034010/dez-razoes-contra-o-ponto-eletronico.shtml

8 Respostas to “Relógio de Ponto eletrônico – 10 motivos para não comprar. (portaria 1510)”

  1. Pedro Silveira

    on agosto 24 2010

    Com a eleição de Dilma no primeiro turno se esvaziam as possibilidades de revogação da portaria. Melhor não deixar pra comprar o REP na última hora.

  2. autor

    on agosto 24 2010

    Aqui não é um forum partidário. E até onde sabemos, a portaria 1510 está longe de ser unanimidade no Governo. Independente de quem ganhar as eleições, renova-se a equipe. Renovam-se os ânimos de todos! Pois como é bom ver que funciona a democracia no Brasil! Suas opiniões são sempre bem-vindas.

  3. Andréa Moreira

    on agosto 24 2010

    Excelente matéria!
    Somente vale o complemento: É retrocesso até para quem compra o REP. Este produto está a anos-luz dos atuais relógios de ponto eletrônicos em uso…

  4. Rosemeire Krins

    on setembro 8 2010

    Digo o mesmo. Uma ema excelente matéria. E ainda coloco mais se esse sistema é para proibir as Empresas de fraudes isso poderá provocar muito mais e até mesmo prejudicar o proprio colaborador, pois caso ele chegue um pouco mais tarde e a Empresa queira abonar, ela não poderá mais fazer isso pois se o colaborador tem sua hora registrada na saída em seu poder e ele ficou uns 20 minutos a mais e com isso a empresa tem que pagar esses minutos a mais, porque abonar o seu atraso.

    Esse novo sistema poderá tambem implicar em desconfianças de ambas as partes. Quem garante que o funcionário bateu ou não o cartão ou até mesmo demorou para bater o cartão porque ficou jogando conversa fora com os colegas de trabalho, quem garante que o colaborador não registrou o cartão e ficou trabalhando e sendo assim ter um cartão diferenciado para pagar hora extra por fora??????

    A era do chamado “funcionário” esta voltando estamos deixando de ser um colaborador pois a nova Lei do ponto eletronico faz com que haja desconfianças entre colaborador e Empresa e vice versa.

  5. Carlos Vergueiro

    on outubro 7 2010

    A fora continuidade de impudade de empresas quanto não pagamentos de direitos dos funcionários, bem como não tributação de acordos como horas extras (PF),e outras mais, já pensaram os processos que governos e demais terão caso revogação da portaria 1.510.
    Portaria sim. Melhor em alguns detalhes, sim. Exigir melhores produtos dos fabricantes, sim.

    Neste inutil quadro político/sindical, econônico e capitalista, nem tando ao céu nem ao inferno!

    Carlos Vergueiro

  6. autor

    on outubro 7 2010

    Prezado Carlos,
    Permita-nos discordar.
    Quanto à impunidade por qualquer ilícito, não é nenhum equipamento que dará jeito nisto. Aliás, a portaria não corrige sequer a impossibilidade de fraudes por parte de empregadores…
    Quanto aos processos, o Governo que se prepare. Tanto em caso de manutenção quanto de revogação, a enxurrada de processos será enorme. Por isto vimos alertando quanto à forma errônea pela qual se deu este processo. Está tudo errado e deixa grande margem para demandas judiciais de toda sorte.
    Portaria não é lei. Esta é pior porque não privilegiou o diálogo, a técnica, a legalidade.
    Os novos REP são piores tecnologicamente. A melhor lei para se ter produtos melhores é a “lei de mercado”.
    Agradecemos sua participação.

  7. Almeida

    on novembro 24 2010

    O autor declara claramente em seus comentarios, que é contra a portaria e depois em outro diz que este espaço não é destinado contra a mesma… fala sério! Li todos comentários, e na verdade existe muitos julgamentos sem conhecimento de causa. Eu por exemplo conheço uma empresa que comprou um relogios destes biometrico por 3.000,00 de acordo com a nova exigencia do MTE. O mais completo. E eu mesmo fiz algumas cotações e conferi tais preços. E tem mais: a propria lei da direito ao MTE de regulamentar os relogios, sejam mecanicos ou informatizados.

  8. autor

    on novembro 24 2010

    Prezado Almeida,

    Primeiramente, esclarecemos que há a contribuição de muitos autores neste site. Acreditamos na máxima que “toda unanimidade é burra”.
    Temos buscado cada vez mais ter conhecimento de causa. Mas estamos todos aqui aprendendo a cada dia.
    Para enriquecer nosso debate, poderia nos auxiliar citando o embasamento legal que autoriza a regulamentação de relógios mecânicos ou informatizados pelo MTE da forma como foi feita?
    Quanto aos valores citados, temos acompanhado de perto as tendências. Vimos que os preços praticados até caíram muito do início do lançamento dos REP até hoje. Mas convenhamos… R$ 3000,00 como valor mínimo para os atuais fica bem distante dos R$ 890,00 antes praticados por muitas empresas antes da portaria 1510. Não nos esqueçamos das restrições às possibilidades de locação como um fator importante nas opções de preço, nem tampouco o alto custo de manutenção presente na nova realidade dos REP.
    Agradecemos muito a sua ampla leitura de nosso conteúdo, e principalmente esta contribuição.

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